Jogo e trabalho até poucos anos tinham espaços e tempos bem distintos
na sociedade judaico-cristã ocidental; o trabalho era o domínio do sério,
organizado, metódico; o jogo pertencia ao domínio do lazer, da leveza, da
irresponsabilidade. Aos poucos, porém, com o trabalho se tornando cada vez
mais intelectual e cada vez menos braçal, estas duas esferas foram se
interpenetrando. E a mistura se mostrou vantajosa, porque o jogo lubrificou a
engrenagem de cérebros, o que resultou em mais trabalho (porque as pessoas
que gostam do que fazem não percebem que estão trabalhando) e maior
qualidade (porque acrescentou o gosto à tarefa).
Uma das vantagens da inclusão do jogo no ambiente de trabalho diz
respeito ao estranhamento e ao distanciamento proporcionado por ele. A
pessoa abandona sua realidade imediata e entra em um novo mundo, com
outros problemas e desafios. Ao retomar o problema real, volta enriquecida. No
jogo, a mente parece estar completamente absorvida com a nova tarefa, mas lá
dentro acontece algo que os especialistas em criatividade chamam de
maturação ou incubação de uma idéia. Na verdade, estamos dando tempo ao
cérebro para ele fazer a conexão entre coisas não evidentes.
Outro aspecto positivo do jogo, segundo Jane McGonigal, é a
possibilidade de errar, porque isso é um incentivo à melhoria. O jogador deve
sentir que não conseguiu “ainda”, mas na próxima rodada conseguirá corrigir o
seu erro. Na vida real, um erro pode ter conseqüências funestas, mas no jogo
experimentar o novo é possível, sem que o erro gere conseqüências maiores
do que perder o jogo.
Ótimo texto! Um elemento que sempre deve ser lembrado é a eficiência do erro no processo de aprendizagem. Errar no jogo pode até ser divertido. E é "errando que se aprende".
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