sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A função do jogo em um treinamento

Treinamento para Jovens Profissionais do Saneamento, na ABES

Os jogos de empresa, além de trabalhar um conteúdo específico, também podem desenvolver habilidades. A integração de uma equipe, por exemplo, envolve uma meta comum, cumplicidade e compartilhamento de estratégias, tolerância, adaptação, capacidade de negociar, etc. Tudo isso pode entrar em um jogo que valorize o trabalho em grupo.
Muito mais do que distrair pessoas, o jogo faz o participante de um treinamento observar seus padrões comportamentais e rever suas práticas.
Para isso, o facilitador pode guiar-se pelo Ciclo de Aprendizagem Vivencial, explicado por Gramigna (1995). Através dele, depois do jogo propriamente dito, são explorados os sentimentos que foram mobilizados durante a atividade; a seguir, investiga-se o caminho que conduziu o participante ao resultado obtido; a próxima etapa é a abstração deste comportamento, verificando como ele se repete no ambiente de trabalho ou em outros momentos da vida “real”, fora do jogo; finalmente, o participante se pergunta como pode mudar seu comportamento para melhorar seus resultados.
Em época de inovação e valorização do ser humano, treinamentos com jogos são, mais do que uma tendência, uma mudança definitiva na forma de desenvolver pessoas, que se tornam “participantes” e não mais alunos passivos aos quais é transmitido o conhecimento.

Referência:
GRAMIGNA, Maria Rita Miranda. Jogos de empresa e técnicas vivenciais. São
Paulo: Makron Books, 1995.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Jogo X Trabalho

Jogo e trabalho até poucos anos tinham espaços e tempos bem distintos
na sociedade judaico-cristã ocidental; o trabalho era o domínio do sério,
organizado, metódico; o jogo pertencia ao domínio do lazer, da leveza, da
irresponsabilidade. Aos poucos, porém, com o trabalho se tornando cada vez
mais intelectual e cada vez menos braçal, estas duas esferas foram se
interpenetrando. E a mistura se mostrou vantajosa, porque o jogo lubrificou a
engrenagem de cérebros, o que resultou em mais trabalho (porque as pessoas
que gostam do que fazem não percebem que estão trabalhando) e maior
qualidade (porque acrescentou o gosto à tarefa).
Uma das vantagens da inclusão do jogo no ambiente de trabalho diz
respeito ao estranhamento e ao distanciamento proporcionado por ele. A
pessoa abandona sua realidade imediata e entra em um novo mundo, com
outros problemas e desafios. Ao retomar o problema real, volta enriquecida. No
jogo, a mente parece estar completamente absorvida com a nova tarefa, mas lá
dentro acontece algo que os especialistas em criatividade chamam de
maturação ou incubação de uma idéia. Na verdade, estamos dando tempo ao
cérebro para ele fazer a conexão entre coisas não evidentes.
Outro aspecto positivo do jogo, segundo Jane McGonigal, é a
possibilidade de errar, porque isso é um incentivo à melhoria. O jogador deve
sentir que não conseguiu “ainda”, mas na próxima rodada conseguirá corrigir o
seu erro. Na vida real, um erro pode ter conseqüências funestas, mas no jogo
experimentar o novo é possível, sem que o erro gere conseqüências maiores
do que perder o jogo.

Seleção de funcionários: da universidade para a empresa

Bom aluno, bom funcionário? Nem sempre. O desempenho acadêmico informa algumas coisas sobre uma pessoa, mas dois aspectos devem ser considerados, pelo menos: o conteúdo das disciplinas e o comportamento do aluno.
Embora o nome e a ementa das disciplinas de um curso deem pistas do que foi desenvolvido, eles não revelam a profundidade da abordagem nem o grau de exigência do professor, por exemplo. Seria necessário saber, também, se os conteúdos foram vistos de forma isolada ou se foram interligados, se serviram para compreender melhor a realidade, se partiram de problemas do cotidiano, etc. Afinal, uma empresa não quer um teórico, mas uma pessoa que saiba transformar e adaptar o conhecimento às necessidades do dia a dia.
Também as notas não revelam a postura do aluno diante do que foi visto. Criticidade e criatividade são características fundamentais para muitas carreiras, porque fazem com que a pessoa não seja passiva diante do conhecimento, que é um processo que não se completa com o diploma de algum curso. Por isso o aluno, durante sua formação, deve ser contaminado pelo vírus da curiosidade, da inquietação e do prazer pela busca do conhecimento.
Portanto, em uma seleção de emprego, conta mais perceber o comportamento da pessoa - a capacidade de procurar a resposta e de se relacionar com os outros participantes da equipe, por exemplo - do que o conhecimento estático sobre algum aspecto.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O funcionamento de um grupo

Vou colocar agorai mais um trecho muito interessante do livro "Desenvolvimento interpessoal: treinamento em grupo". Trata-se de uma parte especialmente interessante para quem quer fazer um diagnóstico de um grupo, para daí propor um treinamento. Cito só os dois primeiros, de 7 elementos.

COMPONENTES PRINCIPAIS DO FUNCIONAMENTO DO GRUPO

No estudo do funcionamento do grupo, cabem várias indagações a respeito dos componentes principais, como segue:

OBJETIVOS
  • Há um objetivo comum a todos os membros do grupo?
  • Até que ponto este objetivo é suficientemente claro, compreendido e aceito por todos?
  • Até que ponto os objetivos individuais são compatíveis com o coletivo e entre si?

MOTIVAÇÃO
  • Qual o nível de interesse e entusiasmo pelas atividades do grupo?
  • Quanta energia individual é canalizada para o grupo?
  • Quanto tempo é efetivamente devotado ao grupo (em termos de frequência, permanência, ausências, atrasos, saídas antecipadas)?
  • Qual o nível de envolvimento real nos problemas e preocupações do grupo?
  • Até que ponto há participação plena e dedicação espontânea nos processos de grupo?
Esta semana o grupo de estudos de T&D, do qual participei na ABRH-RS, se encontrou na festa de encerramento. Entre nós, o sentimento de que havíamos participado de um grupo muito bom, com foco, diversidade, envolvimento, leveza e várias outras coisas boas. Sem dúvida, as facilitadoras Deize Campello e Sabrina Malinoski contribuíram para a  formação desse grupo de sucesso. A elas fica aqui meu agradecimento!